The Amazing Spider-Man – AGV GAMES
Produzido pela Activision e desenvolvido pela Beenox, “The Amazing Spider-Man” não é um jogo baseado em filme como os que estamos acostumados. No primeiro contato com títulos assim, nossa expectativa é sempre a de alguma decepção, mas, pasmem, não foi este o caso. “The Amazing Spider-Man” na verdade acabou se tornando uma grata surpresa.
O primeiro contato que tive com o jogo foi durante seu anúncio em 2011, quando as primeiras imagens mostraram bons gráficos enquanto o Aranha se balançava e enfrentava um robô gigante. Saber que a história seria um epílogo à do filme não me empolgou e pouco me interessei em saber sobre o jogo depois disso.
Apesar das duas boas investidas que o estúdio canadense teve com a franquia, a ideia de um jogo feito às pressas para acompanhar o filme não conseguia ser atraente, por mais interessante que ele parecesse. Ainda mais se lembrarmos do fracasso que foi “Spider-Man 2”. A questão é que jogos baseados em filmes dificilmente têm algo a oferecer, porque eles precisam ser acessíveis, estarem prontos para próximo do lançamento do filme ou precisam estar dentro do contexto da obra cinematográfica.
Claro, “The Amazing Spider-Man” sofre de muitos destes problemas. O jogo é repleto de glitches, tem um desafio muito baixo e pouca variação. No entanto suas qualidades compensam tudo isso.

Um pouco de história
Se passando alguns meses após acontecimentos do filme, você encarna o Homem-Aranha quando uma doença influenciada pela pesquisa do vilão cinematográfico Lagarto contamina toda a ilha de Manhattan. O especialista em nano-tecnologia Dr. Alistaire Smythe decide continuar com as experiências do Dr. Connors com a mistura de DNA humano e animal, mas algo sai errado e todas as cobaias escapam, espalhando essa mutação genética por toda a cidade e fazendo pessoas normais se transformarem. Seu objetivo é desenvolver um antídoto e, como sempre numa história de heróis, salvar a mocinha e o dia.
Sim, o enredo é bastante simples. Mas ainda assim, é muito bem conduzido, sempre se preocupando em respeitar a essência do personagem nos quadrinhos e contextualizando tudo dentro do universo do filme com bastante qualidade. Deram até uma origem mais interessante para vilões clássicos como Rhino e Escorpião.
Porém, quando pensamos em “Homem-Aranha”, a primeira coisa que vem é o humor do personagem. É algo fundamental para a ambientação em qualquer coisa que envolva o herói. E não dá pra dizer que ele tem um senso de humor fácil de desenvolver: depende muito de timing, das referências usadas e muitas vezes precisa parecer o mais estúpido e infantil possível. A boa notícia é que conseguiram. Há pequenos detalhes que dão cor ao jogo como o apartamento do qual o Peter Parker estar cuidando durante as férias pertencer a Stan Lee (popularmente conhecido como criador do Homem-Aranha); e é muito difícil você não se pegar rindo com algumas piadas que o personagem da Marvel faz durante o jogo, principalmente as com referência a “World of Warcraft” e ao Batman, da rival DC. Aliás, outra coisa que auxilia nessa ambientação do game acontece durante as telas de loading, quando você pode ver alguns comentários da população de Nova York sobre o que tem acontecido dentro do jogo, uma adição bem-vinda que te faz parar pra ler e é, de fato, divertida.
A história é bem curta para um jogo de mundo aberto. Você provavelmente vai terminá-la em cerca de dez horas se der prioridade para as missões principais. Ela segue um ritmo que lembra o dos quadrinhos, inclusive na forma como os personagens vão sendo introduzidos e como o desfecho se desenrola.
Ao jogar “The Amazing Spider-Man”, por diversas vezes tive a sensação de déjà vu, como na primeira vez que o jogo apresenta o sistema de combates free flow semelhante ao visto nos dois últimos jogos do Batman desenvolvidos pela Rocksteady. O problema é que aqui, diferente do visto nos títulos do Homem-Morcego, os movimentos não são tão fluidos e as animações são repetitivas. Serão vários os momentos em que você verá uma mesma ação de contra-ataque ser repetida cinco, seis vezes seguidas num mesmo combate.
Aliás, repetição é o principal tema do jogo; talvez pela pressa todas as mecânicas são repetitivas. Os golpes, as animações, os comportamentos dos inimigos, as inúmeras cenas em que se é obrigado a executar algum quick time event, ter que apertar o RB (ou R1 no PS3) para executar o free roam do jogo.
Este, aliás, foi prometido como sendo algo semelhante ao que se vê em “Assassin’s Creed”. Pelo contrário, sequer chega perto de ser tão intuitivo quanto o jogo citado – o sistema em “The Amazing Spider-Man” é burocrático.
Contudo, as animações do próprio Homem-Aranha fazem estes defeitos valerem a pena. Você sente a velocidade e a agilidade em tudo o que ele faz e mesmo com as câmeras ruins, essa sensação de aceleração e os gráficos bonitos do jogo compensam todo o resto. De verdade, você se sente capaz de passar o resto da vida só passeando por Manhattan colecionando coisas e resolvendo missões. Isso, claro, se o mundo aberto do jogo não fosse tão monótino.
Talvez estejamos mal acostumados com o que “Red Dead Redemption” nos ofereceu, mas a Mahnattan do jogo parece uma cidade morta. Nada do que você faz nela a afeta de alguma forma a não ser que seja necessário para a história. O Cabeça-de-Teia não pode disparar teias em civis, ou atrapalhar o trânsito. Sequer pode ser atropelado. Infelizmente o mundo aberto do jogo não parece de forma alguma orgânico.
“The Amazing Spider-Man” sofre com uma série de glitches que são sinal de seu desenvolvimento apressado. Problemas de colisão como carros atravessando uns aos outros e personagens atravessando mobílias e paredes; o próprio Homem-Aranha ficando preso em vácuos dentro dos prédios que o arremessam pro outro lado da cidade, ou então problemas de animação como pessoas andando sem mexer o corpo e diversas outras coisas que seriam corrigidas se o jogo tivesse um processo normal de produção.
Além disso, este é um jogo fácil. Mesmo no maior nível de dificuldade você será capaz de terminar ele sem dores de cabeça e reunindo quase todos os Achievements e Trophies em uma só campanha. E esse é outro problema do jogo: após terminar, a vontade de continuar jogando é mínima, já que pouco ou nada se tem pra fazer além de procurar por skins extras, reunir os colecionáveis ou jogar novamente as missões.
No fim, apesar de todos os defeitos, “The Amazing Spider-Man” vale a compra, ainda mais se você for um fã do personagem, a experiência de encarnar o herói e de se balançar nas teias pela ilha de Manhattan compensa quase tudo de ruim que o jogo possa ter. Apesar de não ter nada que o prenda a continuar jogando, em momento nenhum terá a sensação de que desperdiçou seu tempo enquanto jogava. Se também olhava torto para ele, dê uma chance, vai se surpreender.
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